quarta-feira, 30 de março de 2016

[CRÔNICA] A música e a leitura.

Imagem: internet

Por Leandro Silva

Não sei se eu passei a prestar atenção agora e isso sempre aconteceu ou se é algo novo, mas o fato é que cada vez mais vejo pessoas lendo algum livro nos lugares onde vou. Muitas vezes no caminho até estes lugares. São tantas pessoas com livros abertos que fica até difícil esticar o pescoço e tentar ler o título de todas as capas – sempre faço isso, não resisto.

Estes leitores têm outra coisa em comum: em sua maioria estão usando os fones de ouvido. Brancos, pretos, vermelhos ou verdes. Grandes, pequenos, com fios ou por bluetooth. São diversos e sempre levando a velha e boa música aos ouvidos de quem os usa. Claro que, só em observar, sabemos que os ritmos são os mais variados, assim como os gêneros dos livros que estão lendo.

No início eu ficava olhando e me perguntando como conseguiam – confesso que às vezes ainda me pergunto, mas passei a compreender. Muitas vezes, para uns quase sempre, não há uma combinação melhor para uma boa leitura do que a música. A música nos acalma, a leitura nos faz viajar. A música nos conta uma história e livro nos permite vive-la.

No ônibus, no metrô, no carro ou em casa. Seja onde for, a música está lá, ela está em todo lugar, não temos como escapar dela. Então, se sempre estamos a ouvi-la, porque não juntarmos com algo que adoramos fazer? Particularmente eu leio sem música na maioria das vezes, mas em algumas ocasiões ela está ali, junto, também me fazendo companhia.

Então meus amigos, não se surpreendam ao verem cada vez mais leitores usando fones de ouvido simultaneamente enquanto leem. Apenas observem e nunca, nunca atrapalhem. Ali está só o corpo, a matéria. A alma, o espírito está longe... Está viajando através das notas que adentram em seus ouvidos e da história que passa em sua frente.

A música e a leitura só não são uma combinação tão perfeita quando um bom café e um bom livro. Mas isso, meus amigos, é tema para outra crônica.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Dois garotos se beijando: porque demorei tanto a ler este livro?

Foto: Literagindo
Quando conheci o David Levithan, em meados de 2014, não fazia ideia de como eram suas obras. Sabia que era infanto-juvenil, que se assemelhava muito ao estilo de John Green, mas não sabia de fato como era ler um de seus livros. Comecei por Will & Will – que escreveu em parceria com o Green, e agora terminei de ler a sua mais recente obra: Dois garotos se beijando. 

Digo a vocês com toda sinceridade: me surpreendi. Não, não que eu esperasse coisa pouca do David. Não foi isso. É que ele tem uma linguagem tão igual a nossa, que o livro flui como se ele estivesse conversando conosco. E o livro realmente se passa assim: uma narrativa onde as histórias são contadas diretamente a nós, leitores. Mais parece uma conversa, daquelas que você acaba se tele transportando para o lugar de quem está contando.

Quem nos conta as histórias são os ‘gays do passado’, todos aqueles que passaram por tanta dificuldade e que não mais estão entre nós. Conforme eles contam as histórias, por que eles contam a história de mais de um personagem, eles nos contam um pouco da história deles. Eles, os gays do passado, contam que são de gerações que antecedem a dos personagens, contam como foi difícil para eles serem gays naquela época. Contam como muitos morreram e como todos sofreram.

Não pense que devido ao título o livro vai contar a história, do início ao fim, de dois simples garotos se beijando. Não, não vai. O beijo acontece sim e devido a uma causa nobre: chamar a atenção da sociedade para a causa gay. Harry e Craig decidem ter essa ideia quando o até então desconhecido Tariq é espancado de forma gratuita, simplesmente por ser quem é. Revoltados, Craig chama seu ex-namorado e ambos topam quebrar o recorde de beijo mais longo do mundo, em pleno jardim da escola onde estudam.

Em outro ponto somos apresentados ao casal formado por Neil e Peter. Logo depois conhecemos um casal que, digamos, é o mais fofo do livro: Ryan e Avery. Eles são sensacionais e aprendemos tanto com eles. O mais solitário e que chegamos a ter pena é o Cooper. Garoto que vive em rede social para obter um parceiro sexual; um garoto que vive na internet conhecendo outros homens e sendo tantas pessoas ao mesmo tempo. Ele ainda não se aceitou. Seus pais não aceitam sua condição e isso quase o mata.

O livro conta a história de todos os que citei aqui. São belíssimas histórias. Histórias de superação; histórias de preconceito; histórias de aprendizado; histórias de amor. E elas nos são contadas de uma forma tão simples, uma forma tão natural, que muitas vezes achamos que o David pegou uma parte da história de cada um de nós e pôs no livro. Tiro meu chapéu para ele por nos presentear com um livro como esse.

Uma das coisas boas em ser leitor é poder viver cada história e saber, na vida real, como entender cada pessoa e suas diferenças. Te convido para ler então ‘Dois garotos se beijando’ e aprender imensamente com essa literatura. Enquanto vocês leem, eu ficarei imaginando como estaria agora cada um dos personagens se a história tivesse uma continuação.

PS: Leiam a ‘Nota do Autor’ e vejam porque digo que tudo que ele coloca é tão real.

Desejo a todos uma boa leitura e até mais.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O caso dos dez negrinhos (ou E não sobrou nenhum)

Uma das capas do livro com o título original.
Foto: Internet
Passado todas as festas de final de ano, enfim chegamos em janeiro. Mês esse que é bem longo, mas que também é um mês de férias e por isso nem ligamos para quantos dias ele tem. É até bom que ele seja longo pra dar tempo de fazer tudo, inclusive de ler. Sabe-se que é um mês onde, muitas vezes, se deixa a leitura um pouco de lado, mas trouxemos para vocês um livro curto e que, com certeza, vai prender sua atenção do início ao fim: O Caso dos Dez Negrinhos, da imortal Agatha Christie.

Esse livro agora é encontrado sob o título de 'E não sobrou nenhum'. Mudaram o título original do livro, uma lástima, para evitar que se relacionasse com o racismo. Abro aqui um parênteses para dizer o quanto detestei isso. É um politicamente correto burro, porque o nome 'negrinhos' do título nem se refere a questão racial, sem falar que o novo título conta o final do livro. Bem, a mudança se iniciou nos EUA e, por força contratual, foi seguida mundo afora.

Voltando a história, dez pessoas, que a princípio não têm nada em comum, são mandadas para uma ilha, a Ilha do Negro na versão original do livro que é a versão que serviu de base para a crítica. Eles são supostamente convidados por amigos, mas descobrem depois que um milionário chamado U.N. Owen manobrou para prendê-los ali. O livro é muito interessante porque começa já com mistério. Ninguém sabe nada e o porque de estarem ali.

Com poucas páginas de história sabe-se o que os prendem ali e o que essas pessoas têm em comum: cometeram crimes e ficaram impunes. A justiça não conseguiu provar na ocasião que seriam eles os culpados. Foi a deixa perfeita para alguém que não suporta injustiça começar a ser o juiz de todos ali. Para isso ele usa um texto de uma brincadeira antiga que tem o nome 'O caso dos dez negrinhos', por isso o nome do título.

O livro é curto e é fantástico, como sempre são os livros de Agatha. Se quiserem também podem, após a leitura, ver o filme. Tem uma filmagem de 1945 e outra de 1987, eu vi e a segunda e ela é bastante fiel. No filme, que tem o nome do livro original, já tem algumas mudanças: o texto da brincadeira utilizada não se chama 'o caso dos dez negrinhos' e sim 'dos dez indiozinhos', assim como a ilha também se chama Ilha do Índio.

O final do livro, que não vou contar aqui, é muito, mas muito inteligente. Se em algum momento da leitura você desconfia de quem está por trás de tudo, a desconfiança se vai no meio da leitura. Mesmo você tendo uma ideia do final pelo novo título, como esse final acontece é que é fantástico, pois é muito inteligente.

Com esse excelente mistério, só resta desejar a vocês uma boa leitura. Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Que em 2016 a literatura continue agindo

Saiba, principalmente, escrever a literatura da sua vida.
Foto: Internet
E o ano de 2015 vai se despedindo da gente, quase que num piscar de olhos chegamos a sua última semana, a semana de número 53, e logo mais estaremos em seu último dia, 31 de dezembro. Para uns um ano difícil, para outros um ano incrível. Para todos, um ano bem conturbado e inesquecível. Para o Literagindo não foi diferente.

Nesse ano de 2015 completamos nosso primeiro ano de vida e comemoramos em grande estilo. A primeira comemoração foi em fevereiro, quando comemoramos a criação do blog, foi quando a ideia surgiu e nós três (Jean, Jonathas e Leandro) nos juntamos e começamos a organizar tudo, isso em 2014. A segunda comemoração, esta registrada em vídeo, foi em agosto, quando o blog comemorou de fato aniversário.

Durante este ano foram várias as críticas postadas, vários vídeos exibidos e incontáveis livros recomendados por nós aqui do Literagindo. Nossa página no facebook esteve movimentada durante todo o ano onde pudemos ficar cada vez mais perto de vocês, leitores. Assim como em nosso canal no youtube. Sem esquecer-se do Instagram, claro. Nossas fotos sempre vão parar lá. O blog continua vivo e segue firme, com críticas todo mês para vocês – sejam elas escritas ou em vídeo.

Então você pode estar se perguntando aonde queremos chegar. Bem, eu explico. Queremos desejar a todos boas festas. Um 2016 cheio de paz, saúde e com muitos livros. Continuaremos com a nossa divertida missão de recomendar os melhores livros a vocês, tendo em troca essa receptividade e o feedback de sempre. Vocês são realmente os melhores leitores. 

Então é isso, um bom réveillon a todos e nos encontraremos por aí, nos livros. Pois, como diz o nome de nosso blog, é a literatura agindo, em ação, e assim ela se faz a cada vez que começamos uma leitura. 

Feliz Ano Novo!

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