segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Digude - O mangá brasileiro que vai te conquistar

Foto: Literagindo


Por: Jean Ribeiro

Bem Literagentes, saindo um pouco do padrão, decidi escrever uma resenha sobre um quadrinho/mangá brasileiro que está cada vez mais famoso e crescendo em questão de fãs. Tive a honra de conhecer tal história logo no mês de seu lançamento e a acompanho até hoje, sempre ansioso pelos novos capítulos. Enfim, hoje deixarei minha opinião sobre Digude, de Vinicius de Souza.

A curiosidade me levou a ler Digude, pois um amigo ganhou um exemplar do primeiro capítulo e me incentivou a ler. Claro, a proposta de usar o jogo de bolas de gude, do qual minha infância foi parcialmente preenchida com muitas partidas deste jogo, foi primordial para meu interesse em ler Digude. Depois que o li, não pude conter a minha expressão de perplexidade, pois além do traço espetacular, Vinicius nos traz uma história bem encaixada, que lhe empolga, que lhe deixa preso e que nos mostra personagens bastante carismáticos.

Foto: Reprodução / Digude 02
Digude é ambientado em um mundo onde o jogo de Bolas de Gude é o esporte mais praticado em todo o mundo. Em todo o lugar é possível observar pessoas de todas as idades tendo uma partida de Gude. Daigo, conhecido como Di, é um jovem que odeia gude. Sua mãe o deixou com o pai para seguir a carreira profissional de Gude, tornando-se assim a campeã mundial do esporte. Encrenqueiro de primeira linha, Di consegue infernizar a vida dos companheiros de escola. Porém, em uma conversa com seu pai, Di se vê em um grande dilema, pois para ele poder finalmente encontrar a mãe, ele vai ter que jogar o esporte que tanto odeia. Somente sendo o campeão, ele poderá encontrar com sua mãe. Para encorajá-lo, seu pai o entrega um fragmento de meteoro no formato de uma bola de Gude, que o ajudará a vencer. Muitos mistérios envolvem este fragmento, pois lendas antigas contam que cinco animais lendários adormeceram em esferas e se espalharam pela terra. Será que Di pode ter conseguido uma dessas esferas?



Di, Hana e Seta
Foto: Reprodução / Adesivos Digude
Cada capítulo de Digude consegue deixar o leitor ainda mais curioso, fazendo que seu desejo por novos capítulos torne-se cada vez mais voraz. A história segue uma linha coerente e sempre nos apresenta um personagem bem trabalho, porém que nos deixa na vontade de saber mais sobre cada um deles. Como exemplos, posso falar de Seta e Hana. Seta é misterioso e a primeiro momento ajuda Di em uma partida de Gude. Ele demonstra ter grande habilidade e possivelmente será um dos adversários mais difíceis que o protagonista irá enfrentar. Hana é muito bonita, porém bastante desastrada. Um passado obscuro cerca a garota e por ser bastante introvertida acaba por sofrer bastante nas mão das outras garotas, ainda assim, possui técnicas incríveis de Gude e também parece se encaminhar para uma grande adversária de Di, apesar do mesmo ser "caidinho" por ela. Até o momento o campeonato provincial é a meta e o treinamento de Di está a todo vapor.

Um dos grandes pontos altos de Digude é o ótimo trabalho feito nas personalidades de cada personagem. Vinicius consegue torna cada personagem marcante, único e com personalidades firmes e distintas. Personagens como Kato, Devan e Emi nos mostram isso firmemente. Enfim, Digude sempre surpreende.

A única parte negativa é a demora para o lançamento dos capítulos, não estou culpando o autor, longe disso, Vinicius, como nós, tem trabalho e incontáveis compromissos, o que dificulta bastante o desenvolvimento da história. Mas o autor não mede esforços para continuar com este trabalho a parte. Infelizmente, vivemos em um país onde coisas sem importância são valorizadas ao extremo, onde outras acabam esquecidas. Nosso país tem um estoque enorme de autores/desenhistas de quadrinhos/mangás, enorme mesmo. Mas não há interesse editorial, nem investimento, ou melhor, nem sequer um projeto governamental que ajude. Enfim, os quadrinistas se viram como pode e Vinicius de Souza não é uma exceção. Atualmente Digude tem 7 volumes lançados e 8 capítulos no total.

Foto: Reprodução / Digude 02
Digude é um quadrinho/mangá para todas as idades, posso dizer que até agora, pelo menos ao meu redor, não tem aquele que tenha lido Digude e não tenha gostado. É realmente muito bom. Fica esta dica para leitura, pois além de ser bom, estarão ajudando este mercado ainda desvalorizado a crescer.

Abaixo deixarei o link da página do Digude no Facebook e a página do Lámen, um projeto recente onde vários quadrinhos/mangás brasileiros ficam disponíveis para leitura On Line. Digude está lá, então não deixe de conferir.


Página oficial Digude:
https://www.facebook.com/MangaDigude/?fref=ts

Página oficial Lamen:
https://www.facebook.com/leialamen/?fref=ts

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Temporada de Segredos - A bela fábula das estações.

Foto: Literagindo


Por: Jean Ribeiro

Começo este texto expressando o quanto meu amor por Sally Nicholls aumentou após a leitura do livro Temporada de Segredos. Este amor começou quando tive a alegria de ler Como Viver Eternamente, um livro excepcional, mas como esta resenha não é relacionada a ele, deixarei no final do texto o link para o vídeo onde falo um pouco sobre ele. Agora é a vez desta fábula sensacional, uma história que mexe com sua imaginação e que o mantém preso até o final. Vamos falar de Temporada de Segredos.

Esta história nos mostra a vida de Molly e sua irmã mais velha Hannah. As crianças perderam a mãe cedo, e sem ter como cuidar delas, o pai acaba por mandar as duas para morarem com seus avós em uma cidade do interior. Molly, a nossa narradora, demonstra uma esperteza sem tamanho. Apesar de ser mais nova que Hannah, ela é mais centrada, correta, meiga e inocente, enquanto sua irmã é muito rebelde e descontrolada. Sob a perspectiva de Molly, podemos viajar por esta história nos sentindo uma criança, pois conseguimos entender seus questionamentos, como por exemplo o fato dela não entender por que não pode ficar na casa do pai. Elas frequentam uma pequena escola que possui apenas uma turma com alunos de diferentes idades. Uma noite, Hannah decidi fugir e leva Molly junto. A chuva castigava a região e Molly acaba se separando de Hannah, assim, na tempestade, ela vê um homem sendo caçado por cães e um homem de chifres a cavalo. Intrigada com o que viu, Molly tenta dizer as pessoas, mas como ela mentia muito quando era mais nova, ninguém acabou por acreditar na sua história. Somente a sua professora Shelley parece ser imparcial sobre a história de Molly e ainda conta uma lenda sobre o Rei Carvalho e a mudança das estações. Deste modo, Molly parte em busca da verdade enquanto vive o conflito familiar de morar na casa dos avós e ter um pai ausente. 

Temporada de Segredos é um livro que vai crescendo a cada capítulo. Temos toda a ambientação real onde é incluída uma fábula em tal ambiente. Além de vaguearmos por assuntos que afetam a todos e que na maioria das vezes nos identificamos, como perder um ente querido, como superar e como conviver com a reação das outras pessoas sobre a mesma perda. E também nos mostrar o quanto a força do amor pode nos transformar e fortalecer nossos laços ainda mais. Acompanhar uma história sobre um olhar infantil, nos abre um leque de possibilidades e conclusões; nos permite pensar de forma mais simples e objetiva. Sally me encanta com seu modo de escrita.

"Você pode até se acostumar com o vazio na sua vida onde antes havia alguém. Um vazio onde você pensava que aquela pessoa iria viver ali para sempre, mas um dia essa pessoa sai, sem olhar para trás, ou dizer adeus, e some para sempre."

Enfim, apesar de ser uma história voltada para o público infantil, a mesma pode - na verdade deve - ser lida por pessoas de todas as idades. Uma história realmente encantadora que ainda nos deixa refletindo sobre pontos importantes no final. 
O que realmente é o bem e o mal? Perspectiva? Ponto de Vista? O que realmente é mais importante em nossas vidas?

Temporada de Segredos é a fábula dos tempos atuais. Uma leitura simples, leve, bela. Para quem ainda não leu, recomendo que compre o livro, escolha uma tarde e leia, pois não haverá arrependimento. Uma história que afasta estresse e problemas. Realmente cativante.

"Ele parece ter desaparecido por enquanto. E o verão vai passando e ele vai ficando cada vez mais distante, como alguém que eu inventei ou uma brincadeira que parei de brincar."

Para que quiser conhecer Como Viver Eternamente, a primeira e premiada obra da autora, eis o link do vídeo no nosso canal do Youtube. 

https://www.youtube.com/watch?v=zptN6MIEHVg 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Médico e o Monstro - Um Filosófico Clássico do Terror

Foto: Literagindo


Por: Jean Ribeiro

No mês do terror, nada melhor do que falar um pouco da literatura clássica, da época onde as ideias do terror que conhecemos hoje ainda se formavam em contos de diversos escritores. Entre eles está O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Uma história que conta a trajetória de um homem divido entre o bem e o mal, o certo e o errado, entre ser Dr. Jekyll ou Mr. Hyde.

O Médico e o Monstro começa com o preocupado Mr. Utterson, um advogado que recebeu do amigo Dr. Jekyll o pedido de elaborar um testamento, onde o mesmo daria direito de todos os bens do médico Jekyll a um desconhecido de nome Mr. Hyde. Intrigado, Mr. Utterson começa a investigar Mr. Hyde, principalmente depois de ouvir o depoimento de um amigo que Hyde transparecia o próprio mal. Assim, as verdades sobre Mr. Hyde e até do próprio Dr. Jekyll começam a surgir, levando a história para um dos desfechos mais clássicos da literatura. 

Nesta sequência investigativa, a história de Stevenson nos prende a cada página. A escrita séria e refinada da época, o ambiente que se monta cada vez mais empolgante devido a narrativa clássica e o fator de descrição intensa, acabam nos transportando para Londres e nos deixa apreensivos para descobrir como este conto termina. Isso torna o Médico e o Monstro uma das grandes obras escritas até hoje.

Tenho que comentar também, que esta história é considerada o protótipo do romance de Lobisomem, já que não temos um romance clássico que descreva um lobisomem em si, ao contrário do que acontece com os vampiros que tem Drácula de Bram Stoker. Então, por muitos, O Médico e o Monstro é base para a figura Lobisomem que temos hoje. (Excluindo é claro, Os vampiros que brilham e Lobisomens sem pelo que aparecem em algumas histórias. Estes se encaixam em algum outro gênero que não seja o terror.)

Enfim, O Médico e o Monstro trás muitas reflexões filosóficas. Como por exemplo, se realmente temos controle sobre nós mesmo, o quanto os nossos desejos reprimidos podem afetar drasticamente as nossas vidas e se vale a pena abandonar aquilo que acreditamos ser o melhor por desejos ocultos. Robert Louis Stevenson nos deixou uma obra prima.

Esta edição da Editora Nova Fronteira é linda, tanto a capa quanto a diagramação. Um ponto a mais para nos empolgar na leitura desta história incrível. Não deixe de ler.

"Esta, então, é a última vez, a menos que um milagre aconteça, que Henry Jekyll é capaz de pensar seus próprios pensamentos e ver seu próprio rosto no espelho."

terça-feira, 13 de outubro de 2015

[CRÔNICA] Pesadelos Literários

Foto: @Jhon_Passos - LiterAgindo
Por Leandro Silva

Então pessoal, dessa vez minha crônica vai falar, como já adianta o título, sobre os pesadelos que geralmente temos quando estamos lendo alguma obra meio, como que posso dizer... Tenebrosa. E não tinha um mês melhor para o lançamento desse texto do que outubro, considerado o 'mês do horror'. 

A primeira vez que eu tive pesadelo literário foi quando comecei a ler a série Bruxos e Bruxas, do James Patterson. O livro, como falo na crítica que fiz dele aqui, não é terror, mas é uma história alucinante. Os garotos sofrem muito quando a Nova Ordem passa a dominar quase todo o mundo. O livro é pura ficção e é eletrizante, te prende e você vive a angústia dos personagens a cada página. E foi devido a isso que eu comecei a me ver demais na história e tinha pesadelos quase que diários. 

(Ainda a respeito do livro Bruxos e Bruxas, aconselho vocês ouvirem a música Marcha Macia, do Siba.) 

Não sou muito de ler livros de terror, mas sei que quando leio passo a ter pesadelos. A gente se envolve demais na história, não tem como não se envolver. Passamos a fazer parte dela, a viver conforme o autor escreve para os seus personagens. Esses pesadelos são, ao mesmo tempo, aterrorizantes e incríveis. Aterrorizantes porque ninguém gosta de ficar se assustando o tempo todo, acordar de um pesadelo é horrível. Você acorda suado, agitado, demora a voltar a dormir. Mas ao mesmo tempo é incrível porque você vai mais além, passa a viver a história em sua plenitude. 

Se você ainda não desfrutou disso, ou é muito forte a ponto de não ter pesadelo, ou não conseguiu ler algo tão aterrorizante, eletrizante, que te faça viajar de fato para dentro de suas páginas, na forma mais profunda que tem, que é usando nosso subconsciente. Se você já teve desses pesadelos, sabe do que estou falando. E o melhor é que, quanto mais pesadelos temos com determinadas obras, mais queremos ler. Alguém me explica? 

Apesar de ser UM POUCO ruim, eu desejo desde já que você tenha um pesadelo literário. Claro que desejo. É uma sensação incrível, você num mundo totalmente perigoso, mas conhecido. A adrenalina toma conta de você e você vai acordar assustado, mas querendo pegar o livro na mesma hora pra terminar a leitura. E se for livros que tenham continuação, como o caso de Bruxos e Bruxas, você dei muita sorte. 

Bem, é isso e até a próxima - e que tenham muitos pesadelos.

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