terça-feira, 14 de junho de 2016

The Leftovers: um livro que tive que dar mais que uma chance

Foto: Literagindo
Por Leandro Silva

Eu não conhecia esse livro, apenas o título e pensei que se tratava apenas do seriado da HBO. Pois bem, quando fui comprar uns ovos de páscoa, sim, sou desses capitalistas que presenteiam em datas criadas pelo comércio, vi o livro naquele lugar perto do caixa. Quando vi a excelente capa e o preço que estava em destaque, não pensei duas vezes: peguei e levei junto com os ovos ao caixa. 

Não demorei para começar a ler The Leftovers (Tom Perrotta). A sinopse dele era convidativa e, como vi muitos comentários positivos, me apressei para iniciar a leitura. Confesso que não tive a mesma rapidez para terminar. Primeiro que o início do livro é muito chato. Toda a primeira parte é muito parada e você precisa, como disse meu amigo John, dar uma chance a história para seguir em frente. Eu dei essa chance e fui até o final. 

O livro tem como protagonista a família Garvey, que é formada por Kevin (meu personagem preferido), Laurie, Tom e Jill e se passa na cidade nova-iorquina de Mapleton. Num determinado ano, no mês de outubro, acontece um fato que muitos acreditam ser o arrebatamento cristão. Como que num passe de mágica, diversas pessoas, no mundo inteiro, somem sem deixar rastros. É a partir daí que tem início essa louca história.

Uma das consequências desses acontecimentos sem explicações é o surgimento de seitas e diversas comunidades que pregam o que querem. É aí que a família Garvey se desmantela. O filho mais velho do casal, Tom, deixa a faculdade e passa a seguir um louco religioso. A esposa de Kevin, Laurie, passa a fazer parte de um grupo chamado Remanescentes Culpados, que pregava que não se podia achar que aquilo tinha sido algo normal, que em hipótese alguma se deveria tentar voltar a ter uma vida normal. Restaram na família Kevin, que depois disso tudo se torna prefeito de Mapleton, e Jill, que com a família em ruínas passa a sofrer com isso.

A história vai fluindo bem e você se empolga a partir da segunda parte do livro. Já no final você volta a sentir aquela preguiça em terminar a leitura, mas ai você lembra que precisa dar uma chance a Perrotta e continua. Você vai torcer por Kevin e Nora. Você vai gostar de Aimee. E se você tiver a mesma percepção que eu, vai achar a parte do livro direcionada ao Tom uma das mais Zzzz. O final não é dos melhores pelo simples fato de que ele não dá um final. Fica tudo em aberto e acho que esse foi o gancho da HBO, pois podem produzir várias temporadas do seriado. 

Eu não posso deixar de aconselhar que leiam, pois acho que vocês devem tirar suas próprias conclusões. Mas se assim o fizer, lembrem do conselho que recebi e deem uma, duas, três chances ao livro, garanto que gostarão da história. 

Abraço e até a próxima.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

[CRÔNICA] A leitura e escrita como forma de fuga da realidade

Imagem: Internet

Por Leandro Silva

Uma das coisas que sempre me fez bem foi escrever. Não sei por que, mas escrever e ler sempre foram atividades que me faziam sair de onde estava e ir a lugares distantes, longe até de mim mesmo. Era uma fuga necessária e que sempre dava certo. Não era a regra, mas o que me deixava com mais vontade de fazer qualquer uma das duas coisas era quando eu não estava me sentindo bem. Quando alguma coisa estava em desequilíbrio perto de mim.

Eu lembro que quando eu comecei a ler Harry Potter eu ficava até a madrugada, sozinho e com a luz não tão forte. Era um ambiente propício ao que eu queria: sair do mundo real. Naquela época eu não escrevia nada, a não ser os textos escolares. Minha única forma de ‘viajar’ eram os livros de ficção – e digo com muita franqueza: é melhor que qualquer outra coisa.

Com o passar dos tempos fui pegando novos livros e me habituando cada vez mais a leitura. Nem toda leitura que fazia era pra fugir da realidade, até porque não precisava disso o tempo todo. Era quando eu queria, quando minha mente precisava de um escape. Acho que todos passamos por isso. É uma forma tão boa de sair de cena que, na volta, você até aguenta tudo de novo. 

E o hábito de leitura faz com que tenhamos vontade de escrever. Acho que todos fazemos isso. Quem nunca escreveu aquele poema ou aquela história que nunca completou, mas que queria transformar em livro? Quem nunca escreveu algo só para fingir ser o que não é, idealizando uma vida que na verdade queria viver e não faz por, muitas vezes, medo? É, acredito que a maioria de nós.

Percebi isso com mais acerto quando cheguei ao ensino médio. Escrevia, escrevia muito. Muitos textos nem existem mais. Outros foram parar no jornal da escola. Quem me conhecia sabia que meus textos saiam melhor quando eu não estava bem. Eu sabia. Ali era somente eu, a caneta e o papel. Era meu mundo. Era o que eu deveria fazer na minha vida, mas ali era mais fácil. Ali não tinha cobrança.

Eu sei que posso estar falando, neste caso escrevendo, um monte de besteira aqui e você nem tenha chegado a este parágrafo para ver que eu mesmo reconheço isso. Mas era só pra dizer uma coisa: leia e escreva sempre que precisar de um escape. Saia um pouco da realidade, você precisa disso. Há várias formas de se fazer isso, de buscar esse escape, e uma delas, e uma das mais seguras, é lendo ou escrevendo. Já disse Chico Buarque: os livros nos leem. 

Abraço e até a próxima pessoal.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um pouco de Animais Fantásticos e Onde Habitam

Foto: Literagindo
Por Leandro Silva

Para quem acompanha o mundo mágico de Harry Potter sabe que, além dos livros da saga, há vários outros títulos que pertencem a esse mundo encantador. Lembro que eles também são escritos pela magnífica JK Rowling. Bem, é justamente um desses livros que chegará aos cinemas no final desse ano, numa incrível adaptação feita pela Warner Bros., pelo menos isso é o que mostra o trailer.

Mas aí eu te pergunto: você já leu o livro Animais Fantásticos e Onde Habitam? É, esse aí da foto? Ainda não? Então presta atenção que eu vou falar pra você um pouco dele, mas depois vê se pega um exemplar e lê de fato.

Pra começo de história, o livro é uma edição especial. Se você não percebeu, diz que pertence a Harry Potter, isso porque esta edição tem sua arrecadação destinada a uma organização beneficente e acharam que pegar o livro do bruxinho e republicar "daria um melhor retorno financeiro", já que contém todas as suas anotações como estudante. O livro ainda tem o prefácio escrito pelo grande Dumbledore, amigo de Newt Scamander, autor do livro.

Se você acha que o livro conta alguma história mágica ou aventura do autor, está totalmente enganado. No início do livro ele conta um pouco da história do autor ~fictício ~ do livro, como ele viajou atrás das criaturas mágicas e como se tornou o melhor neste assunto. Aposentado do Ministério da Magia, é a pessoa mais indicada quando se fala nas criaturas mágicas, seja ela qual for. Também fala sobre a diferença entre 'ser' e 'animal' no mundo bruxo. Pronto, depois disso o livro fala absolutamente das criaturas e como se proteger delas.

Vale a leitura? Vale. Você entende muitos dos animais que mostram na saga do bruxo e como eles foram criados. Ele mistura o mundo bruxo e trouxa, já que alguns dos animais vivem em nosso mundo também - já ouviu falar do Dodô? Pois bem. Sabe o motivo de eletrodomésticos novos darem defeitos? "Ele explica". Ah, sabia que o "Monstro do Lago Ness" é, na verdade, um "Cavalo-do-Lago"? Garanto que não.

Ao que me parece, o filme vai contar as histórias de Scamander junto a essas criaturas, como as descobriu e vai contar muito a sua história de vida, já que teremos aí ele jovem nas telonas. A citação de Dumbledore não foi em vão, está tudo amarrado. Rowling está envolvida no roteiro do filme, que terá continuação, justamente por conta disto, pois pode desenvolver histórias dentro da história principal do livro.

O livro é curto, tem 63 páginas e você lê rapidamente. A parte que descreve as criaturas pode ser massante, mas não deixa de ser interessante no final. Aconselho a leitura, mas não quer dizer que precise de fato ler antes de assistir o filme. Uma coisa não se prende a outra.

Espero que tenham gostado da crítica, abraço e até a próxima.

quarta-feira, 30 de março de 2016

[CRÔNICA] A música e a leitura.

Imagem: internet

Por Leandro Silva

Não sei se eu passei a prestar atenção agora e isso sempre aconteceu ou se é algo novo, mas o fato é que cada vez mais vejo pessoas lendo algum livro nos lugares onde vou. Muitas vezes no caminho até estes lugares. São tantas pessoas com livros abertos que fica até difícil esticar o pescoço e tentar ler o título de todas as capas – sempre faço isso, não resisto.

Estes leitores têm outra coisa em comum: em sua maioria estão usando os fones de ouvido. Brancos, pretos, vermelhos ou verdes. Grandes, pequenos, com fios ou por bluetooth. São diversos e sempre levando a velha e boa música aos ouvidos de quem os usa. Claro que, só em observar, sabemos que os ritmos são os mais variados, assim como os gêneros dos livros que estão lendo.

No início eu ficava olhando e me perguntando como conseguiam – confesso que às vezes ainda me pergunto, mas passei a compreender. Muitas vezes, para uns quase sempre, não há uma combinação melhor para uma boa leitura do que a música. A música nos acalma, a leitura nos faz viajar. A música nos conta uma história e livro nos permite vive-la.

No ônibus, no metrô, no carro ou em casa. Seja onde for, a música está lá, ela está em todo lugar, não temos como escapar dela. Então, se sempre estamos a ouvi-la, porque não juntarmos com algo que adoramos fazer? Particularmente eu leio sem música na maioria das vezes, mas em algumas ocasiões ela está ali, junto, também me fazendo companhia.

Então meus amigos, não se surpreendam ao verem cada vez mais leitores usando fones de ouvido simultaneamente enquanto leem. Apenas observem e nunca, nunca atrapalhem. Ali está só o corpo, a matéria. A alma, o espírito está longe... Está viajando através das notas que adentram em seus ouvidos e da história que passa em sua frente.

A música e a leitura só não são uma combinação tão perfeita quando um bom café e um bom livro. Mas isso, meus amigos, é tema para outra crônica.

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