sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LiterAgindo - Crítica Dan Brown



Olá LiterAgentes!
Como vocês sabem todas as sextas feiras nós disponibilizamos aqui no blog três críticas escritas.
Pois bem, na última sexta de cada mês nós iremos postar um vídeo em substituição das críticas escritas.
Neste primeiro vídeo falaremos sobre três grandes obras de um dos maiores escritores da atualidade.
Ponto de Impacto, O Símbolo Perdido e Inferno são livros em que Dan Brown consegue prender o leitor a cada página.
Para saber mais sobre cada uma dessas obras, segue o vídeo logo abaixo.





sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O Temor do Sábio - Patrick Rothfuss surpreende com sua narrativa ainda mais intensa que O Nome Do Vento

Foto: LiterAgindo


Por: Jean Ribeiro

"Lembre-se de há três coisas que todo sábio teme: o mar na tormenta, uma noite sem luar e a ira de um homem gentil."

Trazendo o segundo dia de história contada por Kvothe, O Temor do Sábio consegue ser melhor que o primeiro livro da série A Crônica do Matador do Rei. Comparado ao livro O Nome do Vento, este livro traz um enredo mais elaborado, bem construído e muito mais intenso.

Kvothe continua a contar a sua história, e nesta parte, a sua vida toma um rumo diferente do que ele esperava. Ele nos conta que teve que deixar a universidade por mais uma desavença com seu inimigo declarado, Ambrose. Sem opções, o protagonista parte em busca de alguém que possa patrocinar sua música, enquanto deixa o tempo passar para poder voltar a universidade. Assim, começa mais algumas aventuras de Kvothe.

O livro continua com sua leitura lenta e bem detalhada, suas 960 páginas não são em vão. O fato do livro ser narrado em primeira pessoa, traz a sensação de você está junto de uma lareira com Kvothe ao seu lado contando a história. Tenho que parabenizar a forma de escrita do Autor Patrick Rothfuss, pois ele traz algo novo, algo diferente, algo que lhe puxa para seu conto como uma mágica. Sei que existem milhares de livros escritos em primeira pessoa, mas neste livro, o autor consegue transmitir os sentimentos da personagem de uma forma que até então eu não tinha visto antes. 

Voltando a história, Kvothe passa a viver com o Maer Alveron, um homem muito rico que pode se transforma no patrocinador que o jovem Kvothe precisa, mas antes o protagonista tem a missão de conquistar a confiança do Maer. Por falar em missão, o próprio Maer o envia para uma missão quase impossível de ser cumprida. Kvothe tem que liderar um grupo de mercenários para tentar acabar com um grupo de ladrões que estão impedido a passagem dos coletores de impostos. A partir desta missão, Kvothe passa por grandes reviravoltas.  Ele é levado por Feluriana para o reino dos encantados. Feluriana é conhecida por levar as suas vítimas e elas nunca mais retornarem, pois por incrível que pareça, suas vítimas morrem de tanto fazer sexo com esse ser de uma beleza sem igual e com um poder de atração literalmente irresistível. Mas não para o nosso Kvothe. Ele não só consegue resisti a Feluriana, como consegue fazer que ela o ensine várias coisas, muitas delas carnais, é claro, até porque Kvothe até então não tinha deitado com nenhuma mulher.

Essa parte do livro é de uma sensualidade tamanha, porém mais uma vez trago a tona a capacidade do autor de saber trabalhar bem com os detalhes e os sentimentos dos envolvidos. Com certeza, um dos pontos mais altos dessa narrativa.

Por fim, Kvothe retorna do mundo dos encantados. Porém a história continua. Guiado por Tempi, Kvothe vai para ademre, o local de nascimento de Tempi e onde o jovem pode aprender o Ketam, arte milenar somente ensinada aos ademrianos.

Como pode se perceber, a história de Kvothe é bastante movimentada. Isto tudo acontece em um curto espaço de tempo, o que faz dele um jovem com feitos extraordinários. O livro também retrata a fixa busca de Kvothe pelo Chandriano, o grupo que matou sua família, e é claro, o seu relacionamento com Denna, a misteriosa Denna, que usa tantos nomes e não há nada de concreto em sua história.

Isso é o Temor do Sábio. Uma fantasia impressionante que traz uma parte bastante intensa de Kvothe, porém nenhuma resolução aos diversos mistérios que cercam a história. Quem realmente é o Chandriano? Quem é Denna? Quem é o Rei morto que o título indica? Quem é Auri, a menina misteriosa que vive escondida na universidade? Como se resolverão os confrontos entre Kvothe e Ambrose? Essas são uma das muitas perguntas que somente serão respondidas no último livro desse grande conto que ainda não tem data de lançamento prevista. Ou seja, teremos com certeza um livro de muitas, muitas páginas, a não ser que Patrick mude seu estilo e resolva tudo sem desenvolver e em um piscar de olhos.

"São as perguntas que não sabemos responder que mais nos ensinam. Elas nos ensinam a pensar. Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."

Parabéns editora arqueiro pelo grande trabalho nesta obra, pela bela tradução e adaptação, que conseguem manter a mágica original oferecida pela narrativa feita por Kvothe, pela diagramação e principalmente pela capa, que é simplesmente magnífica.

Se não leu sobre O Nome do Vento ainda, veja nossa crítica nesse link:
http://blogliteragindo.blogspot.com.br/2014/08/por-jean-ribeiro-e-por-isso-que-as.html

Deu no New York Times: O Brasil Segundo um Estrangeiro

Foto: LiterAgindo

Por Jonathas Passos

Fugindo um pouco da temática fantasia, hoje me aventuro a fazer uma resenha de um livro totalmente jornalístico.

Deu no New York Times foi um livro que me chamou a atenção principalmente, por eu ser um admirador dessa profissão. Me lembro bem que ao comprá-lo, na bienal do livro de Pernambuco do ano de 2013, me veio a mente a ideia de saber como o Brasil é visto por pessoas de fora. E é exatamente isso que ele reproduz.

O escritor é Larry Rohter, um jornalista de profissão que casou com uma brasileira e se apaixonou pelo país da esposa. Quando surgiu a oportunidade de ele assumir o cargo de correspondente no Brasil nos anos 70 pela revista NewsWeek ele aceitou sem titubear, passou cerca de 10 anos atuando nessa função, escrevendo e conhecendo o lado cultural, político, econômico e sociológico do Brasil, logo depois voltou para cá em 1999 e ficou até 2007, novamente se aprofundando no conhecimento da história do nosso país. Durante todo esse período foram mais de 500 reportagens publicadas que trouxe para ele muitos prêmios e alguns desafetos.

O livro é dividido em tópicos, onde Larry mescla entre as notícias publicadas e notas pessoais sobre determinados assuntos.

É interessante ver a opinião dele no que diz respeito a nossa cultura. Ele se mostra um ardente admirador de nossa música, citando em muitos momento dois grandes expoentes da MPB, Caetano e Gil, e com um tom ácido, faz uma crítica a todos aqueles que não dão valor a sua cultura, achando que tudo que vem de fora é melhor do que aquilo que existe aqui dentro. Ainda nesse ponto, ele toca em assunto polêmicos, como por exemplo, a discussão que surgiu entre as vendedoras de acarajé na Bahia, pois muitas vendedora não seguiam os preceitos que a cultura baiana "estipulava".

Ao falar sobre a sociedade brasileira, ele cita os pontos que todos nós já conhecemos, isto é, o fato de sermos vistos lá fora como um povo alegre, bonito, acolhedor, prestativo, mas ao mesmo tempo, ele cita que o "jeitinho brasileiro" que todos nós temos o costume de usar, alguns de uma forma mais intensa que outros, é visto como uma mácula pelos estrangeiros, pois o fato de querermos nos dar bem em tudo, a famosa Lei de Gérson, nos faz muitas vezes passar pelos limites éticos e morais básicos para o bom convívio.

O ponto mais crítico de todos, durante o período que Larry esteve atuando como correspondente, se deu nos momentos em que ele falava sobre política. Com uma opinião muito forte sobre o PT ele exprime toda a sua surpresa ao ver a mudança que o partido teve em seus ideais filosóficos. Ficou conhecido mundialmente ao publicar uma reportagem sobre os pequenos vícios ligados a bebida do Ex-Presidente Lula, que quase causou a sua extradição do Brasil. Em minha opinião, quando falava sobre política Larry deixava a imparcialidade jornalística de lado, mostrando seu viés de pensamento para todos verem, ou melhor lerem.

Entre textos cômicos e altamente informativos, o livro consegue nos prender, contudo, essa uma daquelas leituras que se devem ler de maneira esporádica, pois diferente de um conto, se você passar muito tempo sem lê-la você não irá se perder. Com o decorrer do tempo, você vai acabar percebendo que já tinha ouvido falar de algumas dessas notícias e que agora você irá realmente lê-las.

A Editora Objetiva está de parabéns pela belíssima edição, com uma capa simples porém bonita ela consegue trazer toda a elegância dos grandes jornais, além disso a diagramação está ótima.

No final da leitura aprendemos a valorizar um pouco mais o que temo. E esse é o maior trunfo deste livro.

É isso pessoal, até a próxima.

A garota que eu quero: tão fofo e encantador que faz qualquer leitor se apaixonar

Foto: LiterAgindo

Por Leandro Silva

Se me pedissem para definir o livro do qual começo a escrever agora com uma palavra, diria que ele é fofo. É isso mesmo, fofo. “A garota que eu quero”, do Markus Zusak, é um livro que encanta o leitor já pela capa, tão bem trabalhada. Depois encanta pela sinopse, que já nos deixa com uma vontade de ler já na livraria – devo dizer que foi lá que comecei a lê-lo. Em seguida nos encantamos com a doçura do personagem principal, o pequeno Cameron Wolfe. E a história, por completo, é fascinante. 

O livro conta a história do pequeno Cameron, o mais novo dos irmãos e que se sente um fracasso, pois está sempre se comparando a eles. Steve, irmão mais velho do Cam - assim todos o chamam com o decorrer da história - é um típico jogador de futebol: bonito, descolado e independente, já mora sozinho e não mais com sua família. Já Rube é o irmão do meio: charmoso, consegue qualquer garota de forma fácil, basta deixar ser notado. Já Cam é novo, não tem nenhum dos adjetivos dos irmãos e se sente um lixo por isso.

Garoto que nunca fez nada de extraordinário até sua adolescência, nunca conseguiu namorar, faz com que ele alimente isso. A história se dá porque Cam se apaixona por Octavia, atual namorada do Rube. Contudo, como sabe que seu irmão nunca passa muito tempo com nenhuma garota, ele sabe que logo ela estará solteira. Mas aí é que está, ‘como e porque ela iria se apaixonar por ele, um garoto fracassado?’ Deixo a pergunta entre aspas, pois só o Cam pensa isso dele. 

Mas aí é que está: Octavia deixa Rube, se aproxima e se apaixona por Cam e a partir daí o livro se mostra mais encantador ainda. Se dá aí um romance de alto nível. Às vezes meloso, as vezes apenas um romance. Um garoto que encontra sua outra metade e começa a viver um momento único em sua vida. A partir daí tudo começa a melhorar. Sua alto-estima se eleva. Ele descobre que seu irmão, o Steve, até achava que ele nunca venceria em nada na vida, mas ele mostra que não é assim. Mostra ao Rube como se deve tratar uma garota e prova aos pais que cada ele também tem seu encanto.

O livro não é muito longo, tem apenas 176 páginas e você fica com um gostinho de quero mais. Cam conversa com você, então a leitura flui tão bem que, quando você menos esperar, vai estar no final da leitura. A capa e a diagramação estão perfeitas, ponto para a Editora Intrínseca – o que não é novidade, ela sempre capricha em seus exemplares. Abaixo, deixo um trecho que achei sensacional e que você também vai gostar.

"Acho que, quando uma pessoa lhe conta uma coisa que costuma guardar, você se sente privilegiado, não por saber algo que ninguém sabe, mas por se sentir escolhido. Dá a impressão de que aquela pessoa quer que a vida dela se entrelace com a sua".


É isso pessoal, abraço e até a próxima.

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